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27 janeiro, 2013

Capítulo 32


Quando acordei estava deitado no chão do galpão. A Verônica me rodeava e falava mansamente.
— Querido, como está se sentindo?
— Mal, pior ainda de ter que olhar pra seu rosto.
— Não seja tão agressivo só quero o seu bem.
— Sério?
— Claro.
— Então se mata. – Levantei— me meio zonzo e a encarei. Estava com a visão clara. Ela me pegou pelo pescoço colocando dedo por dedo e apertando gradualmente.
— Meu querido, não seja intolerante. Não quero precisar te machucar.
Dei— lhe um tapa no rosto com toda minha força e ela caiu. Levantou— se irada com os olhos fumegantes de ódio e me jogou contra a parede. Andou até uma sacola que estava no chão ao mesmo tempo que falava.
— Você não sabe como me tratar Caine. Está sendo um garoto mau. Suportei— te por meses, suas manias, seus amigos, sua inútil família e seus gostos infantis. Não está sabendo ser grato.
— Sua va...
Nem pude terminar. Ela segurava algo que jogou no chão antes de voar em mim e me morder novamente arrancando pedaços da minha pele. Tentei lutar contra, mas cada vez mais ela bebia meu sangue e ficava mais forte. Eu enfraquecia mais e mais até que desmaiei. Acordei sentindo uma dor lacerante nos pulsos e tornozelos. Abri os olhos devagar e dei de cara com uma luz nos meus olhos. O sol estava quase se pondo, mas algumas luzes ainda atravessavam o plástico rasgado da minha janela.
O sangue pingava dos meus pulsos e dos tornozelos. Quando consegui olhar estava de braços e pernas abertas pregado na parede com estacas de metal que não faziam nada além de me machucar como faria a qualquer pessoa. Ela se aproximou.
— Em breve nossa amiguinha chegará.
— Que amiguinha?
— Já se esqueceu dela Caine? Nunca pensei que meu poder de sedução fosse tão grande.
— Sua vagabunda! Como se atreve?
— Calma Caine. Não vamos descer o nível. Nunca te vi xingar antes.
— Perdi muito tempo então. —  Ela pulou em mim e me bateu tão forte na cabeça que senti como se estivesse sendo jogado contra o concreto. Desceu e ficou lá caminhando de um lado para o outro enquanto minha cabeça latejava.
— Hum, ela está chegando... Com licença.
A Charlie chegou e desobedecendo minhas ordens de ir embora entrou no galpão. Discutiu com a Verônica, brigou com ela e acabou sendo levada para o escritório pelo clã da bruxa depois de ter sido adormecida pelo soco que a fez desmaiar. A Verônica tinha me mordido de novo. Cada vez que eu começava a me recuperar ela me mordia novamente.
Já era umas onze e meia quando ela foi até a sacola de onde tirou as estacas e puxou um alfanje. Ele tinha a empunhadura verde, uma lâmina larga e curta no fim desta com dois convexos quase na ponta. Havia umas inscrições na sua lateral, que parecia representar o clã ao qual ela pertencia. Minha visão estava começando a se concretizar ela se aproximou apontando o alfanje para mim e diferente do que interpretei na minha visão ela ameaçava sim, mas não a mim e sim a Brianna.
— Pra que essa arma? Pretende me matar?
— Jamais. Já disse que tenho muitos planos pra você.
— E o que vai fazer com ela?
— Estou esperando uma convidada. É a...
— Brianna Comte.
— Como sabe? Viu algo?
— Nada que te interesse.
Ela aproximou a ponta do alfanje no meu peito e como na minha visão a Brianna chegou, mas ela trouxe consigo algo que eu não tinha percebido: ela tinha nas mãos uma espada Viking com a empunhadura preta e o guarda com pontas bem afiadas, sua lâmina era longa e fina, na sua lateral também havia inscrições, mas a dela era diferente junto com elas havia o desenho de um lince representando provavelmente o seu clã.
— Começaram a festa sem mim.
— A Verônica tem problemas com ansiedade. Disse a ela pra te esperar.
— Verônica e seus problemas. Eu sei a solução de um deles. Entrega— me o Caine e nos livramos da ira do seu pai.
— E você acha que me importo com meu pai?
— Pois deveria. Ele não ficará nada satisfeito com seus planos, principalmente os que o envolve, ou melhor, os que não envolvem.
— E você acha que será tão fácil? Acha que depois de tudo que fiz e tudo que arrisquei vou te entregar o Caine de bandeja?
— Porque não experimentam perguntar a minha opinião?
— Porque a sua opinião é a que menos importa.
— Olha Brianna é melhor você sair daqui. Essa não é uma luta para bastardos. Estamos falando de realeza.
— Conhecendo— me tão bem não deveria me dar um conselho tolo como esse. Sabe que não vou embora e que vou levar o Caine comigo, nem que eu tenha que cortar a sua cabeça fora.
Enquanto elas falavam uma dor na minha cabeça maior que a que estava sentindo me fez fechar os olhos com força e rosnando. Era uma dor insuportável, incontrolável, esmagadora. Parecia que minha cabeça ia explodir. No auge dessa dor o meu corpo começou a formigar e a queimar, mas não havia fogo, era dentro de mim. Minhas entranhas pareciam estar em brasa, labaredas subiam dos meus pés até minha cabeça, onde estacionavam.
Nunca havia sentido nada parecido, qualquer outro ser que passasse por isso já haveria morrido, mas eu não. E cada vez mais a dor e a queimação aumentavam, até que não aguentei e comecei a me debater e gritar de dor. Meus pulsos e meus tornozelos queimavam mais do que minha cabeça, faria tudo para que aquilo passasse até mesmo cortá— los fora.
— Não queria que terminasse assim, mas você é prepotente, ambiciosa e maldosa. Não suporto pessoas assim, logo não as quero perto de mim.
Brianna correu na direção da Verônica com a Viking a postos e passou na direção do pescoço dela com uma força que quando cortou o ar a fez girar num movimento rotatório e parar novamente a postos. Seu cabelo girou ao redor dela como um lençol de cachos. A Verônica, que havia abaixado, levantou— se girando o alfanje de um lado ao outro na sua frente como se estivesse cortando água de tão simples e fácil que pareceu. O tilintar das lâminas se chocando foi ensurdecedor para mim, além dos meus olhos que queimavam. Elas lutavam girando ao redor de si, abaixando e pulando uma sobre a outra com as espadas a postos de modo com tanta técnica que pareciam dois cavaleiros medievais, mas não tão brutalmente. Estavam mais para duas dançarinas num balé: postura indefectível, expressão compenetrada e passos corretos e medidos como se tivessem sido coreografados.
À medida que a meia noite ficava mais próxima meu sangue esquentava cada vez mais e senti minhas feridas se fechando ao poucos. Tudo doía demais e eu gritava como nunca imaginei ser capaz. Era ruídos dolorosos, graves e cortantes assim como a luta delas. No auge do meu desespero consegui abrir os olhos e ver as duas feridas frente a frente se olhando com um ódio mortal.
Klanas, supakuotas! – Disse a Verônica.
— Klán, fel! – Disse a Brianna.
Ao mesmo tempo seus clãs apareceram. O da Verônica era composto por Gason, Danon, Thor, Loren e Onaro que empunhavam Espatas. O da Brianna trazia sete homens e três mulheres. Elas eram lindas: uma loira com cabelo curto na altura do queixo, uma morena com cabelo bem curto com franja longa e uma ruiva com o cabelo na cintura em cachos grandes e bem definidos; eram altas, olhos expressivos, expressão forte e compenetrada e postura de guerreiras. Entraram em posição triangular, todos com armas brancas cortantes ou perfurantes. Os três homens de trás estavam lado a lado e usavam arco e flecha com ponta de metal, os outros quatro homens empunhavam adagas Sai e as mulheres – que os lideravam —  empunhavam espadas Espata.
Enquanto as duas corriam uma de frente pra outra e continuavam lutando os outros se enfrentavam como coadjuvantes. As três mulheres correram em direção a Loren e Gasel. A loira e a ruiva puseram as mãos na cabeça e gritaram como se estivessem ouvindo muito barulho então o Loren atacou— as. Ainda assim desviaram e com um golpe conjunto cortaram a cabeça dele.
Gasel correu na direção da morena e quando chegou bem próximo teletransportou— se para trás dela golpeando— a na cabeça. Ela levantou a Espata defendendo— se do golpe. Foi a luta que mais durou.
 Thor atacou três dos homens com as adagas Sai matando um deles com um golpe no pescoço decepando— lhe a cabeça e o braço. Os outros dois fatiaram— no com as adagas de forma bem dolorosa, derrubaram— no ao chão e enfiaram as adagas na região traqueal puxando cada um para um lado com as duas mãos.
Danon foi atacado pelos três homens com arco e flecha. As flechas perfuraram seus braços, abdômen e pernas, mas como estavam muito próximos foi mais fácil atacar os homens da Brianna cortando os arcos e as cabeças. A ruiva atacou o Danon pelas costas cortando sua cabeça com muita raiva. Onaro viu, veio correndo em sua direção e enfiou a Espata nas suas costas virando— a para si. Olhou— a com raiva, aproximou— a de si, tirou a Espata pelas costas e decepou— lhe a cabeça. Dois dos homens das adagas correram para cima dele girando as armas ao redor de si como a Verônica havia feito anteriormente, mas o Onaro foi mais rápido. Virou— se, conseguiu tomar— lhes as adagas e os matou. A loira e o outro homem com adagas continuaram brigando com Onaro. Agora só restava eles três, Gasel e a morena e Verônica e Brianna.
A queimação do meu corpo chegou a um ponto em que não pude mais respirar. Senti como se meu pulmão estivesse se contraindo e o meu sangue não circulasse mais. Não tinha forças para gritar. Fechei os olhos, baixei a cabeça e esperei morrer. De repente a dor passou. Senti uma onda energética ao meu redor e dentro de mim tão forte que me fez arfar. Era como se uma massa de ar entrasse nos meus pulmões me trazendo à vida novamente. Abri os olhos sorrindo, levantei a cabeça gradativamente e olhei na direção da Verônica. Um ódio cresceu dentro de mim me deixando mais vivo e com mais vontade de matá— la. A Verônica se aproximou de mim afastando— me da minha família e dos meus amigos, me transformou e agora planejava me escravizar. E se já não fosse o bastante atacou a pessoa que mais me importava no mundo.
— Verônica. – Minha voz soou tão magistral que todos pararam de lutar gradativamente e me olharam. Ela me olhou atônita.
— Caine o que...
Lentamente as estacas foram se desprendendo da parede e caíram. Desci ereto como se pudesse voar. Na verdade não sabia mais o que era capaz de fazer.
— Onaro, jis turi!
Onaro rodou a espada na sua frente apontando o dorso para mim e atacando— me na direção do ombro. Desviei passando para suas costas. Ele virou— se me olhando nos olhos e parando bruscamente: senti sua pressão arterial, sua respiração ofegante e sua circulação acelerada. Sua artéria carótida estava dilatada e pulsava forte. Olhei— o profundamente e irado então senti sua pressão arterial cair, seu coração acelerar a cento e três batimentos por minuto e aumentando, a sua circulação sanguínea acelerar e ele começou a buscar ar abrindo a boca e pondo a mão no pescoço. Estava causando sintomas de anafilaxia no Onaro. Antes que ele caísse segurei— o pelo cabelo e cravei os dentes no seu pescoço sugando o seu sangue lentamente deliciando— me com todo o poder que o sangue de vampiro trás.
Não pensava em nada, nem na Charlie, nem na minha família, nem em ninguém que não fosse eu e meu acerto de contas com a Verônica. Tudo que me motivava antes pareceu apenas desculpas para que seguisse minha ira e a matasse. Seria prazeroso vê— la sob meu julgo, indefesa. Meu ódio crescia e me cegava de tal forma que não enxergava mais nada além do meu objetivo de vingança.
Quando não havia mais sangue larguei— o no chão, me virei lentamente e fixei os olhos na Verônica que estava aterrorizada.
— Eu te disse que tudo melhoraria. – Ela ria nervosamente.
— Realmente melhorou e vou te mostrar o quanto.
Olhei— a profundamente como havia feito com o Onaro. Dessa vez foi mais rápido, não sei se por causa do meu ódio crescente ou pela prática. Ela levou a mão ao pescoço arfando até cair no chão. Tentei fazer as coisas bem lentamente para que ela sentisse mais dor. A Verônica se debateu e gritou até onde seu ar permitiu. Aproximei— me e levantei— a pelo cabelo e olhei bem no fundo dos seus olhos.
— Querida, sabe que gostei muito de você? Pena que não soube retribuir, agora pagará pelo mal que fez contra mim e a Charlie.
Virei sua cabeça lentamente enquanto ela derramava algumas lágrimas e me olhava implorativa. Quando me preparei para atacá— la duas vozes me interromperam gritando em uníssono.
— Caine para agora!

Nana&Karol

Capítulo 31


Fiquei aflita esperando e nem pensar em dormir enquanto ele não chegasse. Arrumei o quarto, estudei até quando minha paciência permitiu e fiquei vendo TV. Por volta das 11h 30 ele chegou triste. Certamente ninguém havia morrido caso contrário ele estaria bem mais descontrolado.
Fiquei um pouco enciumada quando soube que havia sido uma mulher, mas pensei melhor e cheguei à conclusão de que seria complicado convencer um cara a servir de jantar. A garota passou mal por isso ele ficou daquele jeito. Consolei— o e quando ele se acalmou ficamos abraçados até que dormir.

***

— Não vejo à hora de voltar logo.
— Nem eu. Estou ansioso para o feriado.
— Para o feriado ou para o seu aniversário?
— Para ambos.
— Mas hoje é quinta— feira. Teremos quatro dias e meio para comemorar.  Deixe— me ir agora assim o tempo passa mais rápido.
A Carly estava me esperando como sempre.
— Oi Charlotte bom dia.
— Bom dia Carly e Sra. Johnson.
— Bom dia querida. Planos para o feriado?
— Não muitos só alguns passeios e descanso. E vocês?
— Liverpool. Vamos para a casa dos meus avôs.
— Que legal espero que se divirtam.
Chegamos à escola atrasadas pra variar. Assistimos a nossas aulas e no almoço sentamos juntas, o que era uma novidade essa semana.
— Até que enfim! O que aconteceu hoje?
— Andrew faltou, os pais adiantaram o feriado. Vão para a Itália para a casa dos avós maternos dele. Desculpa te deixar sozinha, mas enquanto o meu pai não aceitar o namoro temos que nos ver escondido. E como estou de castigo o único tempo que temos é a hora do almoço.
— E sua mãe o que disse disso tudo?
— Ela até que apoia, mas não quer ir contra o meu pai e discutir com ele não é o melhor a se fazer.
— Sinto muito por você.
— Tudo bem.
Conversamos mais sobre como ela estava feliz. A Carly e o Andrew haviam se encontrado no sábado e ele a tinha levado para uma das melhores cafeterias da cidade. Eles haviam saído pela tarde e como o clima estava bem calmo a Carly usou um vestido azul Royal e uma legging verde claro com uma sandália baixinha que prendia no calcanhar prendendo o cabelo de modo que algumas mechas ficassem soltas. O Andrew vestia uma calça jeans azul gasta, uma camisa chumbo de manga três quartos e um casaco de couro preto.
Quando eles chegaram a casa dela o pai da Carly já havia chegado do trabalho e começou a discutir com ela sobre ela ter saído com um cara com o estilo do Andrew, ou seja, um roqueiro clássico, digamos assim. Ele ficou com raiva por não ter sido avisado do encontro e mandou o Andrew embora dizendo que não voltasse mais. A Carly pediu desculpas ao Andrew e disse que eles conversariam na escola. Toda essa história a Carly me contou durante a semana em longos telefonemas regados a reclamações e lamentos. Tentei ao máximo consolá— la.
Assisti o resto das aulas, despedi— me da Carly, avisei a Lorenna sobre os planos de Blackpool e fui para a parada de ônibus encontrar o Caine. Ele não estava lá, esperei uns 10 minutos até que comecei a me irritar e fui para casa. Teria que me dar uma boa explicação por ter faltado. Chagando lá coloquei minhas coisas em cima do sofá e fui procurar o Caine em todos os cômodos da casa, mas não o achei. Quando cheguei à cozinha achei um bilhete escrito por ele – ou melhor, pensei que fosse.

Charlie,
Desculpa por não ter ido te buscar.
Encontre— me no galpão.
Caine

Não entendi. Porque ele havia me mandando ir a um lugar no qual me havia proibido de estar? De repente senti uma dor na cabeça quase insuportável; sentei— me e apertei minhas têmporas esperando que a dor passasse. Algo me dizia que eu deveria ir. Troquei de roupa: vesti uma calça jeans azul marinho, uma camiseta lilás, um casaco preto e um tênis All Star preto; arrumei o meu cabelo em um rabo de cavalo meio bagunçado, peguei minha bolsa e sai ao encontro do Caine.
Pequei o mesmo ônibus que havia pegado com ele no dia em que me levou para conhecer o galpão. Quando cheguei tive certa dificuldade para encontrar a rua, pois ainda estava tonta pela dor de cabeça, mas quando a encontrei fui direto ao galpão. Ouvi um barulho de lá de dentro, a porta estava entreaberta então chamei pelo espaço.
— Caine?
— Charlie, sai daqui vá embora. – ele gritou com uma voz embargada de dor e sofrimento. Minha cabeça doeu num estalo.
— O que está acontecendo? – gritei de volta ainda do lado de fora.
— Sai daqui agora!
Sua voz me doeu na alma então não aquentei mais, empurrei a porta e entrei. A visão que tive foi estarrecedora: o meu Caine estava pregado na parede pelos pulsos e tornozelos com estacas de metal ao estilo Homem Vitruviano. Havia sangue seco no seu dorso e nos braços, e pingava algum sangue dos seus pulsos, tornozelos e pescoço. As lágrimas saltaram dos meus olhos com a expressão dele: olhos brancos e sem vida, presas expostas em rosnados de dor; pequenos sinais de arranhões pelo corpo que eu sabia que não estavam assim anteriormente.
Corri para tentar ajudá— lo.
— Vá embora, por favor. – ele falou entre soluços não de choro, mas na tentativa de respirar melhor.
— Mas eu quero te ajudar.
— Eu não preciso de sua ajuda.
— Mas...
— Vá embora! – Nesse momento a Verônica saiu de onde estava escondida nos ouvindo.
— Que cenazinha mais patética.
— Verônica, por favor, solta ele eu te imploro.
— E o que eu ganho em troca?
— Charlie, não.
— O que você quiser.
— A sua vida?
— Não! – ele gritou desesperado
— Qualquer outra coisa, por favor.
— Então você não o ama sua egoísta.
— Quem me garante que você o deixaria livre se eu morresse?
— Terá que arriscar meu bem.
— Por favor. O que você pretende com isso?
— Poder.
— O que o Caine tem a ver com isso?
— Tudo a ver. Hoje a meia noite ele alcançará a supremacia dos seus poderes e estando ao meu lado eu o usarei da forma que melhor que convier.
— E o seu pai Verônica?
— O que tem ele meu amor?
— Ele tem planos para mim não é verdade?
— Os mesmos que eu.
— Vocês pretendem me dividir?
— Não. Pretendo ficar com você só para mim e dar um jeito nele. Seus poderes são preciosos. Além de ter visões tem a capacidade de apagar memórias. Com isso poderei fazê— lo esquecer que um dia se interessou pelos seus dons.
— E a Brianna? Como se livrará dela?
— Ela é outra história. Posso fazer o mesmo.
— Mas não conseguirei. É coisa demais.
— Você não faz ideia de como seus poderes estarão avançados depois da meia noite meu querido. Será demais até para você.
— Mas a Charlie não precisa ficar aqui. Ela irá embora e nunca mais nos atrapalhará.
— Não Caine. Não vou te deixar aqui não queira decidir nada por mim.
— Você não entende. Acha mesmo que vale a pena perder sua vida por mim? Pois te respondo: não! Não se jogue numa tormenta Charlotte. Vai embora.
— Cala a boca Caine. Estou falando com ela. Verônica por favor...
— Não. Estou cansada desse papo furado de vocês. Já falei mais do que precisavam ouvir. Eu dou as cartas aqui e vou começar agora.
O Caine estava se mexendo demais e o sangue estava parando de pingar. Suas feridas dos braços e peito estavam cicatrizadas totalmente só restando o sangue. Ela tomou impulso e pulou agarrando— se a ele que gritou. Além do peso dele, o dela e a mordida. Ela não mordeu moderadamente. Estraçalhou parte do pescoço dele. Sugava como se estivesse faminta há vários dias. Ele gritou e se debateu debaixo dela então não suportei ficar parada. Agarrei— a pelo cabelo como fazia com ele, mas sem dó nenhum. Puxei seu cabelo com as duas mãos e com toda a minha força jogando— a no chão. Ela se assustou quando fiz isso e saiu arranhando todo o corpo dele na tentativa de se segurar. Ele rosnou e levantou a cabeça fechando os olhos e abrindo a boca. Subi nela e comecei a batê— la com toda a raiva que estava presa em mim. Por ela ter me esganado, por ter seqüestrado o meu amor e estar fazendo— o passar por essa tortura. Fiz até mesmo por ela ter se aproximado dele pela primeira vez. Soquei— a irregularmente, pois não sabia bem como fazer isso. Arranquei boa parte do seu cabelo e tentei arranhá— la no rosto para que ela sentisse ao menos em centésimo do que ele sentia, mas não fiz tudo isso por mais de um minuto. Ela reagiu me jogando na parede oposta. Fiquei sem fôlego quando bati minhas costas no concreto e caí. Arfei por uns instantes até ela se aproximar e me pegar pelo casaco.
— O que você pensava que estava fazendo? Acha mesmo que pode contra mim? Não sabe que comigo não se mexe garota? Se pensa que vai conseguir me deter com tapas e arranhões está muito enganada. Nem imagina o que sou capaz de fazer. Ou melhor, imagina sim. Já te dei uma amostra do que sou capaz não queira tirar a prova final.
— Calma Verônica, larga ela.
— Por quê? Porque você está pedindo? Enxergue— se Caine. Não está em condições de exigir nada, se toca. É só mais um dos meus discípulos.
Nesse momento entraram cinco caras no galpão. Sério, não sei de onde vieram, mas se eu não estivesse nessa situação poderia dizer que eles eram totalmente lindos.
Estavam numa fila lado a lado. E todos usavam o mesmo estilo de roupa: camisa preta, calça preta de couro e jaqueta de couro combinando com a calça. O primeiro era loiro, cabelo curto, barba por fazer, olhos verdes escuros, ar sombrio, alto e forte. O segundo tinha olhos redondos e castanhos, cabelo castanho cacheado, também alto, só que mais magro. Tinha um olhar envolvente, manso, mas com uma aura perigosa em volta de si. O terceiro tinha o cabelo na altura do ombro como o Caine só que castanho claro quase loiro, boca grossa, um meio sorriso malicioso, olhos cor de mel, braços e tórax torneados, mais alto que os outros dois. O quarto tinha o cabelo preto noite, olhos castanhos escuros, pele morena tipo oliva, muito lindo e o quinto era o mais natural. Tinha a pele negra, olhos bem escuros, cabelo raspado, traços fortes e tinha uma imposição real no olhar como se liderasse aquele grupo. Olhou— a reverenciando— a com o um olhar respeitoso e ela correspondeu, mas percebi que não era apenas isso. Ele a olhou com um ódio oculto também.
— Apresento o meu clã pessoal. Thor tem o poder de ler mentes.
— Muito obrigado garota. – Que poder mais inconveniente. Eles não precisavam saber que os achei lindos.
— Não tenho culpa.
— Dá pra parar!?
— Este é Onaro, sente a aproximação de pessoas. O Danon influencia o pensamento das pessoas. Loren se comunica através do pensamento com qualquer um que ele quiser e o Gasel se teletransporta. Cessando as apresentações...
Ela me entregou a Gasel que me segurou de frente para ela. A Verônica me deu um soco no estômago que me fez desmaiar.

Nana&Karol

02 novembro, 2012

Capítulo 30


Contei a ela sobre as visões e ela ficou eufórica como eu. A cara dela quando comecei dizendo que tinha trazido minhas coisas foi de “Nossa sério que grande novidade essa, conta outra”. Foi engraçado. Tivemos uma grande ideia: testar aquilo de fazer o outro esquecer, como fiz com a Felicity, para que eu pudesse me alimentar gradativamente das pessoas e fazê— las esquecer. Todos ficariam bem no final. Deu certo nos treinos, mas não sei se me sairia tão bem na prática, por isso depois das compras que fizemos para o apartamento eu fui me alimentar.
Cheguei a uma boate clandestina, onde ficavam pessoas não muito agradáveis para não dizer marginais e prostitutas de baixo escalão. O meu maior risco seria morrer, mas como não era possível seria fácil. Entrei, sentei no balcão e pedi uma dose de whisky. O barman me olhou como se eu fosse um lixo e me serviu rudemente. Era um cara alto, careca, corpulento, usava uma camiseta branca sem mangas, uma calça jeans e tinha piercings e alargadores pelas orelhas fora a tatuagem em forma de dragão que tinha nas costas subindo pela cabeça e que ia até só ele sabe onde. Olhei o lugar e vi as prostitutas me observando e se alisando vulgarmente. Uma que devia ter uns vinte e cinco anos mais ou menos, olhos castanhos, olhar vulgar, cansado e malicioso, cabelo castanho longo e solto com uma franja avermelhada, bota preta até o joelho, vestia blusa decotada, apertada e curta com desenho de uma rosa que evidenciava seus fartos seios e cintura fina; usava ainda saia curtíssima preta de couro e tinha brincos e tatuagens. Pensei que seria perfeita: ficaria envolvida e era jovem, se recuperaria rapidamente. Ela se aproximou caminhando sensualmente e me olhando desafiadora.
— Está sozinho não é?
— Sim. O que você sugere para mudar isso?
— Sugiro a mim.
— Boa sugestão.
— Quer beber?
— Não, você quer?
— Sim.
— Whisky?
— Perfeito. – Ela virou a dose de uma só vez, mas não se alterou.
— E agora?
— Podemos fazer o que você quiser.
— Vamos sair daqui.
Saímos e fomos para os fundos da boate que dava para uma rua de oficinas. Estava deserto. Na verdade para qualquer outra pessoa seria perigoso estar aqui.
— Você tem grana gato? – Puxei uma nota do bolso e dei a ela que começou a beijar meu pescoço.
— Que marca é essa?
— Um pequeno acidente.
Puxei— a para mais perto para sentir sua pulsação e o cheiro do seu sangue. Meu olfato estava ficando mais apurado com o tempo. Fora o forte cheiro de gasolina, urina e sujeira em geral do lugar havia o dela: perfume adocicado barato, cigarro, bebida e de outros homens. Seu sangue cheirava a álcool, mas das outras vezes foram assim então não seria novidade. Como seria um sangue puro como o da Cha...
Nem terminei o pensamento. Já era difícil o bastante ter que deixá— la lá vulnerável e agora pensar que eu a poria em risco me fez agir mais rapidamente com a mulher.
— Qual o seu nome?
— Angelique.
— Então Angelique vamos direto ao ponto.
— Como você quiser querido.
Puxei— a para mim pela cintura e ela começou a alisar meu peito. Peguei— a pelo cabelo e virei sua cabeça para o lado beijando e mordiscando seu pescoço até que senti minhas presas aparecerem. Finalmente, achei que nunca sentiria nada. Talvez fosse algo que precisasse controlar também. Mordi— a o mais delicadamente que pude e ela reclamou. Comecei a sugar seu sangue enquanto ela me beijava no pescoço. Vi toda essa noite: ela saiu com vários caras, alguns a bateram, outros a trouxeram para esse mesmo lugar.
Vi também o que parecia sua casa. Era um quarto e sala. Havia umas toalhinhas penduradas, uma divisória, uma cama de casal e fotos dela com outra garota parecida com ela. Vi isso através dos seus olhos. Era como se estivesse no corpo dela. A Angelique foi entrando e observando tudo isso. Estava cansada, deprimida e chorava. Olhou a foto e foi para a cama. Ela ficou leve nos meus braços, foi cedendo até que percebi que era hora de parar. Apertei os dois furos que fiz para estancar o sangue e limpei o local com o dorso da mão. Não mordi na veia, pois poderia matá— la. Escolhi um lugar menos perigoso. Ela parou de me beijar e me olhou confusa.
— Seus olhos...
Olhei no fundo dos olhos turvos dela e a encarei. Ela me olhou fixamente nesse momento e permaneceu assim.
— Angelique, o que está vendo? —  Ela me olhou confusa e tonta.
— O que?
— O que você vê em mim?
— Olhos... brancos, sangue.
— Não querida. Você está tonta e iludida. Está cansada, precisa de sossego não é verdade?
— Sim. Você pode me ajudar?
— Sim posso. O que quer que eu faça?
— Liga para minha casa... preciso dormir.
Ela cedia cada vez mais e já não se segurava nas próprias pernas. Estava com seu peso todo apoiado nos meus braços.
— Tenho um número... na blusa... liga para minha irmã. Por favor?
— Claro que sim!
Senti— me comovido com ela. Estava desfalecendo. Nessa situação (ou com uma pessoa normal) era praticamente impossível ouvir sua voz.
Peguei rapidamente o número e a apoiei contra meu peito. Liguei e uma garota atendeu.
— Você conhece Angelique?
— Sim, é minha irmã o que aconteceu?
— Ela precisa de ajuda. Está numa boate...
— Sei qual é. O que houve?
— Está fraca, precisa descansar.
— Você é cliente?
— Sim e não.
— Tudo bem. Vou passar para pegá— la. Não precisa se preocupar.
— Vou ficar com ela até você chegar.
— Tudo bem. É só um minuto.
Segurei— a nos braços e esperei lá até que a irmã dela chegou. Era a garota da foto que ela olhou e eram ainda mais parecidas pessoalmente. Ela estava num táxi e saiu pedindo que ele esperasse.
— Muito obrigada. Nem sei como agradecer.
— Não precisa só cuida dela.
— Muito obrigada.
— Já disse que não precisa. Vai. Ela está precisando de atenção.
A pus no táxi e a irmã dela me deu um abraço de agradecimento. Foram embora e esperei sinceramente que ficasse tudo bem. Segui para casa muito triste. Ela me ajudou e não pude fazer nada por ela. Derramei algumas lágrimas pelo caminho. Quando cheguei era mais ou menos onze e meia e a Charlie estava me esperando. Quando a vi lá, inocente, pura, amorosa e tão companheira pensei na Angelique e em tudo que ela não teve ou perdeu. Foi doloroso vê— la naquele estado. A Charlie correu para me abraçar. Fomos andando abraçados até o sofá e, deitado no colo dela, a Charlie afagava meu cabelo.
— Deu algo errado?
— Mais ou menos.
— Ele morreu?
— Não era ele era uma garota.
— A sim. – Ela ficou desapontada, mas tentou disfarçar e quase conseguiu, mas conhecia seu olhar e o que se passava por trás dele.
— Ela era jovem, mas estava muito fraca. Trabalhou muito hoje.
— O que ela faz?
— Charlie!
— Tudo bem já entendi. Mas o que aconteceu?
— Ela desfaleceu e foi mais fácil fazê— la esquecer. Pediu que eu a ajudasse então liguei para a irmã dela que a buscou na boate.
— Ficou tudo bem porque está tão triste?
— Porque ela me alimentou e não pude fazer nada por ela que precisava tanto.
— Não é bem assim. Você fez o que pôde ela ficará bem.
— Eu vi a casa dela quando a mordi, era bonita, mas ela não combinava muito bem com o cenário: estava triste, deprimida.
— Não podemos resolver todos os problemas de todas as pessoas. A irmã cuidara dela e ficará tudo bem.
Levantei do colo dela e a beijei na testa carinhosamente. Ela me abraçou e a pus no colo como uma pequena criança. Ficamos trocando carinhos até tarde quando ela finalmente dormiu. Levantei— a e a pus na cama carinhosamente. Estava sentado na cama encostado a cabeceira e ela de lado virada para mim encostada em minha barriga. Fazia frio então a cobri com outro lençol e fui tomar um banho. Ela podia não ter percebido, mas estava com cheiro da Angelique. Lembraria dela o suficiente, não era preciso ter o seu cheiro em mim. Como já era de praxe toquei minha marca e tive outra visão. Ficava cada vez mais fácil obtê— las.
Eu estava preso pelas mãos e pés na parede lateral direita do galpão e estava desesperado: gritava muito e sentia uma forte dor de cabeça, o que era estranho, pois ultimamente não sentia dores tão facilmente. A Verônica se aproximava de mim lenta e gradualmente com um alfanje na mão. Vestia um macacão de couro preto com decote bem delineado na frente, usava um bota que ia até a panturrilha e um salto médio quadrado diferente do que ela normalmente usava. Ela me olhava com certo desprezo enquanto fazia ameaças que não conseguia compreender bem. Ela me apontava o alfanje e continuava falando, nesse momento a Brianna chegou, seu olhar era vigoroso e ameaçador me lembrava um lobo pronto para a caça, ela vestia uma calça também de couro, uma blusa branca de mangas e um espartilho vermelho por cima. Elas começaram a discutir e nesse momento a minha visão acabou, não pude ver mais nada. Tentei por várias vezes, mas nada mais me veio. Voltei para a cama e fiquei pensando na visão enquanto via a Charlie dormir.

***

Nossos dias já haviam virado rotina: despedíamo— nos pela manhã e ela ia para a escola. Chegava de tarde e cozinhávamos juntos para ela que comia e fazia as lições. Depois víamos TV, jogávamos algo e namorávamos no sofá. Ela dormia e quase todas – não, todas – as noites dormíamos juntos, quero dizer: ela dormia abraçada a mim e eu ficava acordado vendo— a dormir. Era muito bom viver essa vida de “casados” apesar de continuarmos só como namorados, sem nada a mais. Tê— la ao meu lado já era suficiente para me fazer feliz no momento.
Estava chegando o feriado e como não havia sinais de perseguição da Verônica começamos a planejar o que faríamos para nos divertir e tentar esquecê— la. Planejamos uma pequena viagem para Blackpool. Havia um parque fantástico lá que eu adorava quando era criança. A Charlie ficou louca quando contei então pediu que a levasse. Decidimos que esse seria nossa comemoração – ou parte dela.
— Não vejo a hora de voltar logo.
— Nem eu. Estou ansioso para o feriado.
— Para o feriado ou para o seu aniversário?
— Para ambos.
— Mas hoje é quinta— feira. Teremos quatro dias e meio para comemorar.  Deixe— me ir agora assim o tempo passa mais rápido.
Beijamo— nos e ela se foi. Enquanto a Charlie estava na escola achei melhor dar uma arrumada na sua casa, afinal ela não se preocupava muito com isso. Comecei pela sala onde as almofadas estavam espalhadas pelo tapete. Depois fui para a cozinha onde as coisas estavam piores. Ela havia deixado a louça do café da manhã suja na pia, dizendo que limparia quando voltasse da escola. Como sabia que estaria cansada para isso resolvi fazer em seu lugar afinal não tinha nada que fazer.
Arrumei o seu quarto e o banheiro, pena que isso não durou muito tempo. Quando terminei ainda não havia chegado nem perto da hora em que a Charlie saia da escola. Sentei— me no sofá e comecei a assistir alguns programas que passavam na TV. A campainha tocou achei estranho, pois em todo esse tempo ela não tinha recebido visita. Não podia abrir se fosse um vizinho ou algum conhecido, pois achariam estranho me encontrar lá. Olhei pelo olho mágico e vi alguém que desejava ver a algum tempo. A Charlie me pediu diversas vezes que eu não fizesse nada, mas era impossível vê— la tão perto e ficar imóvel. Ela acabou com minha vida e o pior, mexeu com a única pessoa no mundo que não lhe era permitida, logo ela pagaria um preço à altura do dano que causou.
— Ora, ora veja quem me deu o ar da graça.
— Não seja irônico meu querido eu sei que você não está muito alegre comigo. Mas também sei que você queria muito me ver.
Sua voz me irritava de tal forma que não aguentei: levantei— a pelo pescoço e a empurrei contra a parede ficando bem próximo a ela e falando o mais irônico que consegui.
— Meu amor, como você adivinhou? Estava louco para conversar com você. Queria reforçar um recado: já te disse uma vez e esperava não ter que repetir, mas infelizmente minha querida você me desobedeceu então terei que fazer algo a respeito.
Joguei— a no chão e ela começou a rir. Minha ira cresceu mais ainda com essa atitude então a levantei puxando pelo cabelo e a pus de frente para meu rosto ao pé que ela continuava rindo.
— Do que está rindo?
— Da sua infantilidade.
— Sério? E como você caracteriza sua atitude?
— Como sábia. Agora que eu já sei a sua motivação vou usá— la contra você.
Ela bateu seu antebraço com força no meu braço desviando— se das minhas mãos e pulou sobre o sofá. Seus olhos estavam brancos e suas presas expostas num sorriso muito perigoso. Ela rosnou e franziu o cenho antes de pular sobre mim e me jogar no chão. Agiu tão rapidamente que não tive como reagir: ela cravou suas unhas nos meus deltoides e rasgou minha pele até os meus pulsos. Chiei de dor e senti minha visão mais clara o que significava que os meus olhos estavam brancos. Mordi o lábio e senti gosto de sangue: minhas presas estavam expostas. Ela arranhou meu peito rasgando minha camisa e arrancando minha pele. Nunca imaginei que ela fosse tão forte. Para terminar cravou os dentes no meu pescoço e sugou me fazendo ficar tonto, fraco e finalmente inconsciente.

Nana&Karol